Pode ser muito útil conhecer a gente

Por  Ana Paula Dornelles e Carlos Eduardo Pereira

Fotografia: Camila de Almeida

O Grupo K – Teatro foi criado em 2005 na cidade de Blumenau, por Léo Kufner e Rafael Koehler. Com 13 anos de atividade, o grupo estreou seu oitavo trabalho, intitulado ‘Ninguém pertence a esse lugar mais do que você’.

Foram mais de seis meses de processo até a estreia do espetáculo.  No primeiro semestre de 2018, cinco cidades de Santa Catarina, tiveram a oportunidade de contemplar a história escrita pela mexicana Mariana Gàndara, com adaptação dramatúrgica e direção de Rafael Koehler e atuação de João Alves Jr., Luciana May, Robson Corrêa e Ruth Rodrigues.

Para a montagem e circulação do trabalho, o grupo contou com o incentivo do Ministério da Cultura, através da Lei Rouanet, do patrocínio da Benner, e apoio da Prefeitura de Blumenau, Fundação Cultural de Blumenau, Daniela Silva – produção & gestão cultural, Cubo Espaço Multicultural e Secretária da Cultura de Chapecó.

Após essa primeira circulação estadual, o grupo pretende agora atingir outros públicos no âmbito nacional, através também de incentivos.

Em entrevista à Revista Artemísia, o Grupo K-Teatro fala um pouco mais sobre os trabalhos produzidos e o atual cenário brasileiro destinado às produções teatrais.

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Apresentação do espetáculo ‘Ninguém pertence a esse lugar mais do que você’ em Chapecó. Fotografia: Camila de Almeida

O Grupo K Teatro já tem 13 anos de existência. Como foi o processo de formação até os dias atuais? Houve muita mudança nesse período?

O Grupo K – Teatro foi criado em 2005 e desde sua criação busca promover a percepção e reflexão sobre temáticas contemporâneas, oferecendo ao público o contato com um teatro sensível. Outro objetivo é de trabalhar com diretores de diversas metodologias e prismas sobre o trabalho interpretativo. O grupo já passou por algumas mudanças nesses anos, algumas pessoas entraram, outras saíram. Atualmente o grupo K- Teatro é composto por Rafael Koehler, Luciana May, Ruth Rodrigues e trabalha com atores e atrizes convidados.

Sentimos uma boa evolução no grupo, um amadurecimento nestes 13 anos de trabalho e após a montagem de oito espetáculos com diretores e processos de pesquisa diferentes. Essa diversidade nos proporcionou olhares diferentes para o teatro e para a arte. Atualmente fazem parte do grupo Rafael Koehler, Lu May e Ruth Rodrigues e os atores convidados Joanna Oliari no espetáculo ‘O Tapete de Maria’, Camila Johann no espetáculo’ Jingobel’, João Alves e Robson Michel no espetáculo ‘Ninguém Pertence a Este Lugar Mais do que Você’.

Para vocês qual é a maior dificuldade em se fazer teatro?

Sentimos dificuldade em relação a falta de incentivo à arte, por parte do poder público. Não se trata somente de incentivo financeiro para os artistas, mas a fomentação da arte, o apoio à criação, manutenção e divulgação da produção artística de um modo geral. Se essa preocupação acontecesse por parte do governo, haveria maior número de fomentadores, produtores, artistas, e naturalmente, uma maior procura pela arte por parte da população em geral, consequentemente um povo mais culto. É um ciclo.

Como vocês veem o atual cenário cultural brasileiro?

Com tristeza. Em uma crise financeira, um dos primeiros setores afetados é a cultura e no momento vivemos essa situação de abandono. Observamos projetos culturais e editais de incentivo à cultura já consolidados, sendo encerrados. É muito preocupante.

Como é produzir um espetáculo com apoio da Lei Rouanet? E pra vocês, qual é a importância de leis de incentivo à cultura?

É trabalhoso, são muitas etapas a serem cumpridas, desde o momento da elaboração do projeto, passando pela captação, realização, comprovação e relatórios finais. No entanto, a Lei Rouanet é a principal fonte de recursos para que os artistas e produtores brasileiros possam realizar seus projetos e levar a cultura diretamente à comunidade de forma acessível.  

O texto original da peça ‘Ninguém Pertence a Este Lugar Mais do Que Você’ é de Mariana Gandara e foi adaptado. Como foi esse processo de adaptação até o resultado final da peça?

Originalmente o texto apresenta quatro monólogos, os personagens contam suas histórias ininterruptamente, um de cada vez. Já na primeira leitura sentimos a monotonia dessa configuração. As histórias apresentadas eram muito interessantes, então em um primeiro momento o Diretor Rafael Koehler decidiu cortar as falas e ir juntando elas manualmente para facilitar essa visualização, distribuindo os textos de forma que se encaixassem e houvesse um diálogo maior entre os atores.

 

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A peça circulou por cinco cidades diferentes de Santa Catarina. Agora, ocorrerão outras apresentações fora do estado?

Estamos escrevendo o espetáculo para alguns festivais nacionais, ainda não tivemos retorno, mas desejamos sim circular muito com este espetáculo. Acreditamos ser um espetáculo sensível, delicado e acessível a qualquer pessoa.

Conheça um pouco sobre cada trabalho desenvolvido pelo Grupo:

SUJOS, produzido junto do diretor Pépe Sedrez e do dramaturgo Gregory Haertel. É um espetáculo indicado para maiores de 18 anos, por tratar de algumas problemáticas da sociedade atual: violência física e verbal, drogas ilícitas e bebidas alcoólicas no universo das ruas. A estreia de Sujos aconteceu no dia 08 de março de 2006 e atualmente encontra-se inativa.

O TAPETE DE MARIA, com direção de Nicoli Pereira e baseado no Livro da autora Simone Cosac Naify, o espetáculo aborda temas como amor, guerra, isolamento e julgamento da sociedade. A reflexão sobre problemas sociais contemporâneos está presente no espetáculo, que apresenta ainda uma temática livre e especialmente apreciada pelo público infanto-juvenil. ‘O Tapete de Maria’ estreou no dia 10 de outubro de 2007 e continua em cartaz.

ZÉ DO MATO E OS ÍNDIOS BOTOCUDOS, em seu quarto ano de trabalho, o Grupo K – Teatro estreou ‘Zé do Mato e os Índios Botocudos’, espetáculo voltado aos adolescentes. Dirigido por Rafael Koehler a peça é baseada em uma lenda de Santa Catarina registrada por Isabel Mir Brandt e Maria José Ribeiro, e tem por finalidade o resgate da história da colonização de Blumenau e região. O espetáculo busca proporcionar aos espectadores uma reflexão sobre o massacre sofrido pelos índios botocudos, no período da colonização do estado. A peça teve sua estreia no dia 16 de maio de 2009 e hoje está inativa.

FIGO, o espetáculo conta a história de um rapaz que, em conversa com amigos, lembra de situações e amores vividos: uma noite inesquecível no Chile, o sabor do vinho, o carnaval, um samba bonito, um corpo, que por acaso era de homem, gostando de outro corpo, que por acaso era de homem também, fogos de artifício, as plêiades. Com a riqueza de cada detalhe as histórias se intensificam e questões sobre amor e preconceito são levantadas. Figo abrange textos de Rafael Koehler, o conto ‘Terça-Feira Gorda’ de Caio Fernando Abreu em uma dramaturgia “amarrada” por Gregory Haertel, e a direção de Pepe Sedrez. O espetáculo é voltado ao público adulto, maiores de 18 anos. Sua estreia aconteceu em 24 de fevereiro de 2010 e continua em cartaz.

A SEDE DO SANTO, o que é arte nos dias de hoje? O espetáculo ‘A Sede do Santo’, dirigido por Rafael Koehler e com dramaturgia de Gregory Haertel, discute de forma bem humorada esta temática contemporânea. Em seu enredo, três mulheres: uma articuladora, uma assassina, e uma que é pura emoção. Um pseudo-artista. Uma gangue especializada no roubo de obras de artes. Um narrador. Femmes Fatales usando sua arma principal: a sedução. Um ator desesperado por um papel de destaque. Todos estão envolvidos em um plano que poderá entrar para a história das artes. A Peça teve sua estreia em 30 de maio de 2010 e hoje está inativa.

A FADA SONHADORA, divertida história conta a trajetória de uma fada e um duende, que vigiam o dia a dia das bruxas a fim de realizar o sonho da fada: passear com uma vassoura de bruxa numa noite de lua cheia. A contação da história ‘A Fada Sonhadora’, é focada na esperança da fada em realizar o seu grande sonho. Todos nós, adultos ou crianças, sempre tivemos nossos sonhos. Dos mais primitivos aos mais elaborados, tais aspirações servem para sustentar nosso cotidiano e dar assim um maior sentido à nossa existência. O espetáculo teve sua estreia em 13 de setembro de 2015 e continua em cartaz.

JINGOBEL, uma comédia que trata do encontro inusitado, na noite de natal, de três mulheres com vidas distintas que se reconhecem e se aproximam na sua carência emocional. Elisa, jovem desequilibrada, filha de Rosa – uma senhora inválida. Vanusa, mulher complexada com seu corpo. Teresa, religiosa que busca propagar a sua fé. A montagem é dirigida por Jean Massanero. O Grupo K – Teatro assume a leveza da comicidade para discutir preconceitos contemporâneos. A estreia de Jingobel aconteceu em 19 de março de 2017 e o espetáculo continua em cartaz.

NINGUÉM PERTENCE A ESTE LUGAR MAIS DO QUE VOCÊ, o espetáculo mais recente do Grupo K – Teatro trata de um grupo de solitários que busca se livrar do apego às suas lembranças e obsessões em uma difícil tarefa de revelar-se para o outro. Seu êxito depende do encontro com outras pessoas. A fragilidade humana, a vergonha, a honestidade ou a falta dela são elementos que vêm à tona nesse momento único e decisivo. Com direção de Rafael Koehler, o espetáculo se encontra em cartaz.

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