Revista Artemísia

(só) Tom Zé Revisita Tom Zé (?)

Foto: André Conti

Foto: André Conti

Por Renan Bernardi

“Me dê as flores em vida”, disse Nelson Cavaquinho.

E é nesses tempos de perdas de tantos nomes da arte brasileira (e também de tantos outros nomes), que urge em mim o desejo de dar flores ao vivíssimo Tom Zé.

Mas para falar desse que é meu nome favorito da música brasileira, não basta mencionar suas conhecidas histórias dentro do movimento Tropicalista, seu ostracismo e sua “descoberta” por David Byrne, apesar dessa última história ser o que traz o gancho do que quero escrever aqui.

Após relançar suas músicas do até então desconhecido Estudando o Samba (1976) no final dos anos 80 pela gravadora americana de Byrne, Tom Zé começa a ter seu trabalho reconhecido pelas propostas inovadoras em ritmo, texto e formato que ele traz em sua obra.

E em boa e saudosa linguagem de mesa de bar, digo: “mas aí é que tá!”: esse reconhecimento, que chega principalmente a partir do seu álbum The Hips of Tradition (1992), sofre muita influência do interesse de David Byrne, um músico também inventivo e consagrado mundialmente, por Tom Zé. Como se essa relação entre a musicalidade dos dois tivesse levado Tom Zé para esse novo trabalho. O que, com todo respeito ao meu também ídolo David Byrne, não é bem verdade.

A inovação é algo constante no trabalho do baiano, presente em toda sua obra, principalmente a partir do seu disco Se O Caso É Chorar (1972), quando sua relação com a tropicália já está claramente no passado.

Mas ainda falando sobre o reconhecimento concedido pela “descoberta” de Byrne, o que deve ser deixado claro é que, se o Brasil começa a valorizar mais o seu artista a partir dessa avaliação gringa, o próprio Tom Zé nunca deixou de confiar, investir e renovar sua própria obra.

Tom Zé sempre teve a plena noção de que, aquilo que ele estava desenvolvendo constantemente, era um trabalho que sempre teve algo de novo para mostrar. Algo que exigisse uma calma e um olhar um pouco mais crítico do que as obras que seus remanescentes baianos e também do que os novos nomes da música brasileira estavam produzindo a partir da segunda metade da década de 70.

Tom Zé nunca precisou da validação que, tardiamente (antes tarde do que nunca), lhe deram. Se o Brasil não revisitava o seu trabalho, Tom Zé mesmo o fazia. Se não havia reconhecimento nacional, quando ele conseguiu o internacional, manteve fazendo o que sempre fez: música inventiva e inovadora.

(Só) Tom Zé Revisita Tom Zé

Para ficar mais concreto o que aparenta ser metafórico no último parágrafo, trarei aqui alguns exemplos de como Tom Zé constrói novas obras que, muitas vezes, fazendo a retomada de algo que já feito por ele no passado, ainda faz sentido quando revistas no presente.  

E veja bem: não é relançamento comemorativo de álbum emblemático; não é versão ao vivo com participação do artista “da hora”; Tom Zé não tem essa preguiça. O seu trabalho de auto-revisitação tem sempre o objetivo de ressignificação, seja colocando a obra em outra discussão através de um novo texto, seja mantendo a discussão em uma nova roupagem sonora.

Algo muito parecido com o conceito de sampler, que é algo que Tom Zé também foi muito visionário em criar, mesmo antes de saber que existia algo já muito parecido sendo feito na gringa, como mostra esse vídeo (gringo) que retira um trecho do filme Astronauta Libertado (também gringo) dirigido por Igor Iglesias e lançado em 2010:

Mas para não entrarmos neste outro profundo assunto, voltamos as auto-revisitações.

Se O Caso É Chorar

Como se Tom Zé tivesse escrito o roteiro de sua própria vida, o álbum Se o Caso É Chorar é uma obra pra deixar claro que a habilidade de olhar para o passado (e principalmente, para o próprio passado) com a intenção de revisitá-lo, é algo ligado diretamente ao processo artístico de Tom Zé.

Nesse álbum, temos a música “Dor e Dor”, que continha a mesma estrutura de arranjo da música “Jimmy, Renda-se”, lançada em seu segundo álbum, o homônimo Tom Zé (1970). É como se as duas músicas funcionassem em cima da mesma estrutura harmônica, apesar de terem rumos melódicos diferentes (nessas horas que eu escrevo em termos mais técnicos, sempre acho que tô falando muita merda. Se você é mais entendido de teoria musical tiver algo pra corrigir, fique à vontade em entrar em contato).

No mesmo álbum, a faixa-título “Se O Caso É Chorar” nasce a partir de uma crítica que ele recebeu de que uma outra canção sua era um plágio. A partir disso, ele resolveu fazer uma música 100% plagiada, que ele conta em maiores detalhes na entrevista dada ao programa Ensaio:

Todos Os Olhos

No álbum da capa polêmica de Tom Zé, eu consigo encontrar mais outros dois exemplos de revisitação.

Além do fato mais lógico de “Complexo de Épico” (que conta com um letra inteligentíssima) ter uma reprise no fim do álbum, experimentando mais as percussões de sons e palavras, é legal também perceber que “Augusta, Angélica e Consolação”, que veio a se tornar uma das canções mais famosas de Tom Zé, não deixa de ter uma relação com “A Briga do Edifício Itália com o Hilton Hotel”, do seu álbum anterior.

Correio da Estação do Brás

Depois de Todos Os Olhos, vieram Estudando o Samba (1976), Correio da Estação do Brás (1978) e Nave Maria (1984), além do Projeto Fontes, que não se encontra registros fonográficos. Esses trabalhos buscaram criar não só sons, como também ambiências sonoras através de instrumentos acústicos, cantos cantarolados e percussões. Ideia que pode até lembrar o que Naná Vasconcellos fazia com suas percussões, só que aplicado para a banda inteira.

Essa fase vai moldar muito do que, sonoramente, Tom Zé faz até hoje, criando esse riffs cheios de notas que mais percussionam do que constroem uma linha melódica.

No álbum do meio, Correio da Estação do Brás, que é inclusive o mais calmo e folclórico desses trabalhos citados, temos “Morena”, canção que ele retira de uma peça que montou nos anos 60 junto com Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gal Costa.

The Hips Of Tradition

Após o álbum Nave Maria, frustrar-se imensamente, quase desistir da carreira, ser redescoberto e atingir reconhecimento em 4 continentes, Tom Zé lança The Hips Of Tradition em 1992.

Este é o primeiro trabalho original de Tom Zé lançado pela gravadora de David Byrne, depois de um álbum de compilações entre o Estudando o Samba, Todos Os Olhos e Se o Caso É Chorar.

Aqui a gente começa a encontrar um maior número de autorreferências, que vai ser maior ainda no próximo lançamento.

A terceira faixa, “Feira de Santana”, possui o mesmo refrão da faixa-título do álbum Correio da Estação do Brás; Já na sequência, “Sofro de Juventude” leva ao extremo a expressão da frase “Eu sofro de juventude / Essa coisa maldita / Que quando tá quase pronta / Desmorona e se frita” dita na música “Mamar no Mundo”, do álbum Nave Maria (1984); Também de Nave Maria, a faixa-título desse álbum é lembrada em The Hips Of Traditions na música “O Pão Nosso de Cada Mês”, onde a melodia vocal é copiada e transposta em outro texto.

Esse álbum ainda conta com a faixa “Jingle do Disco”, que fala do próprio álbum, vendendo-o, com participação do próprio David Byrne e de um coro cantarolando “Tom Zé, Tom Zé” em sotaque americano. Enfim, genial.

Era do Plagicombinador

Bom, o álbum Com Defeito de Fabricação (1998) é o pilar de toda minha argumentação. Foi a partir da audição dele que percebi o processo de recriação de Tom Zé, pois foram as várias autorreferências deste trabalho que me trouxeram para esse raciocínio sobre a revisitação presente em toda obra do artista.

Aqui, as músicas, frases e momentos dos trabalhos anteriores de Tom Zé são trazidas todas para novas texturas, em um álbum que consegue ser bem definido em sua sonoridade ao mesmo tempo que os arranjos eletroacústicos mostrem-se imprevisíveis muitas vezes.

A capa traz o próprio Tom Zé desenhado, o título, Com Defeito de Fabricação, que segundo o próprio artista mostra que o álbum trata de defeitos que todo ser humano tem inatamente. Tudo isso mostrando o valor atemporal de sua obra já realizada, como também trazendo novas músicas de possibilidades inteiramente novas. É dessa forma que Tom Zé assume os seus defeitos e mostra que é justamente deles que seu trabalho é construído.

Ainda na capa, no canto inferior esquerdo, a gente pode ler a frase “Era do Plagicombinador”, uma ótima definição para todo esse processo de revisitação que o álbum trata.

As músicas trazem sempre Defeito, do 1 ao 14 no começo do título, e nelas encontramos as seguintes revisitações:

“Defeito 1: O Gene” traz a ótima frase: “faça suas orações uma vez por dia / depois mande a consciência junto com os lençóis para a lavanderia” de “O Sândalo”, de Se o Caso é Chorar (1972); Do mesmo álbum, “Defeito 2: Curiosidade” faz menção à “A Babá” na letra, onde diz “quem é que tá botando dinamite na cabeça do século? / quem é que tá botando tanto piolho na cabeça do século? / quem é que botando tanto grilo na cabeça do século? / quem é que arranja um travesseiro pra cabeça do século?”, enquanto a original explora todas essas possibilidades e também outras como “quem é que agora está fazendo tanto medo na cabeça do século?”.

“Defeito 7: Dançar” faz uma referência à “Andar com Fé”, de Gilberto Gil; “Defeito 8: Onu: Vendem-se Armas” é uma parceria genial com André Abujamra; E, próximo ao final do álbum, “Defeito 13: Burrice” é uma revisitação de uma canção de nome “Sabor da Burrice”, de seu primeiríssimo álbum, A Grande Liquidação, que destoa um pouco do restante da carreira de Tom Zé, apesar de já mostrar as claras características do seu texto.

E tanto a faixa “Defeito 4: Emerê”, como a última canção, “Defeito 14: Xiquexique”, são peças compostas em parceria com José Miguel Wisnik para a trilha sonora do espetáculo do Grupo Corpo chamado Parabelo, lançado como álbum em 1997.

Jogos de Armar – Faça Você Mesmo

Depois de manifestar tão fortemente as possibilidades que a música construía na sua cabeça através do álbum Com Defeito de Fabricação, Tom Zé resolve registrar também a sua potência ao vivo, que além de contar com toda invenção que já é natural de sua música, ainda é acrescentada aqui, no DVD Jogos de Armar – Faça Você Mesmo (2000), com “materiais inesperados, como: enceradeiras, liquidificadores, batedeiras e outros instrumentos de trabalho, como serras e furadeiras.” (Fonte: Folha Online, 2004).

Esse DVD apresenta uma boa quantidade de canções originais, revisita o seu rock setentista “Jimi Renda-se” dando a ele uma outra atmosfera e ainda remolda também outras músicas marcantes do folclore nacional, como “Pisa Na Fulô” e “Asa Branca”.

Imprensa Cantada

Se até aqui a revisitação e as autorreferências com a sua trajetória são mais encontradas dentro das composições, no álbum Imprensa Cantada (2003) essa ideia está em sua essência.

Quem já viu alguma entrevista de Tom Zé, pode facilmente ter se deparado com ele contando sobre como se iniciou o seu trabalho como compositor, que era justamente fazendo o que ele chamava de imprensa cantada, criando textos jornalísticos sobre os acontecimentos de Irará (BA) em formato de canção.

No álbum que leva o nome desse conceito, Tom Zé “retorna às origens no processo de criar cantigas com flagrantes da sociedade, sátiras, textos-reportagens, como a primeira página de um jornal.” (Fonte: Folha Online, 2004)

E entre uma série de canções originais muito interessantes, como a ótima “Desenrock-se”, ou mesmo “Vaia de Bêbado Não Vale”, referência ao célebre acontecido de João Gilberto ao se irritar com a plateia, encontramos a canção “1, 2 Identificação” que revisita quase que literalmente a canção “Identificação”, do álbum Nave Maria.

Outros Estudos

Na sequência de sua discografia temos Tom Zé ainda muito político e com discursos muito contemporâneos na composição do álbum Estudando o Pagode (2005).

Nesse trabalho, que já faz uma lógica menção ao Estudando o Samba, encontramos experimentações e revisitações dos clássicos ritmos brasileiros, com uma mistura de instrumentos como guitarra, que ganha aqui uma presença que ainda não tinha tido na obra do artista.

Tratando-se de um álbum com um formato muito novo, as canções também cabem ser inéditas e o que encontramos de autorreferências é apenas à música “Beatles à Granel”, que revisita o refrão de “Amar”, do álbum The Hips Of Tradition.

O próximo lançamento de Tom Zé também reverencia o Estudando o Samba, agora fazendo um estudo profundo das raízes da bossa nova através de sua visão, no ótimo Estudando a Bossa (2008), que além de ter um material textual fantástico, é – como sempre – muito bem arranjado e conta novamente com a presença de David Byrne, que canta na faixa “Outra Insensatez, Poe!”, além de contar ainda com outras 12 cantoras participando dos vocais do álbum.

Tropicália Lixo Lógico

O próximo lançamento de Tom Zé vem em 2012, Tropicália Lixo Lógico.

Aqui, o membro atuante da Tropicália a revisita mais como um espectador de camarote desse movimento, do que como um participante ativo de sua construção.

Acompanhado de um extenso trabalho gráfico e textual, esse álbum conta a história do movimento com o distanciamento histórico que o século XXI proporciona, mostrando suas referências, conceitos e o contexto daquele Brasil do fim dos anos 60, mas também falando muito sobre fatores importantíssimos que fizeram aquele Brasil chegar até a Tropicália.

Contestando Aristóteles, mencionando a nossa origem ibérica e buscando amarrar todos esses pontos do movimento organizado por Gil e Caetano, em muitas vezes esse álbum me deixa com interpretações dúbias sobre a argumentação de Tom Zé. É muito difícil dizer quando que Tom Zé está zombando ou exaltando seus parceiros de movimento e, ao longo desse tempo onde investigo a opinião desse artista, encontrei tanto um reconhecimento dele por esses dois marcos da música brasileira, como também já vi ele mencionando e concordando com a afirmação de Augusto de Campos, que diz que “o tropicalismo está cada vez mais Geleia Geral”.

Mas, antes de dizer qual interpretação é a mais certa para cada argumento apresentado no disco, uma coisa que podemos aprender com Tom Zé, e que já ficou mais do que clara nesse texto, é que nenhuma interpretação excluí a possibilidade de uma outra, certo?

Vira Lata na Via Lactea

Se em Tropicália Lixo Lógico Tom Zé começa a incluir artistas da nova geração na composição e realização de seu trabalho, como Emicida, Mallu Magalhães, Washington Carlos, Pélico e Rodrigo Amarante, no trabalho seguinte, Vira Lata na Via Lactea (2014) essa inclusão aumenta e se torna uma das características mais marcantes do álbum.  

Procurando o novo no novo, em Vira Lata (…) encontramos participações especiais de Criolo, O Terno, Trupe Chá de Boldo, Filarmônica de Pasárgada, Kiko Dinucci e ainda os consagrados Milton Nascimento e Caetano Veloso.

Esse álbum nasce a partir do EP Tribunal do Feicibuqui, lançado em 2013, onde Tom Zé debocha das críticas que sofreu no Facebook principalmente depois de Tropicália Lixo Lógico. Para construção do EP, ele teve a participação novamente de Emicida e Mallu Magalhães, além da ótima faixa “Papa Francisco Perdoa Tom Zé”, composta em parceria com Tim Bernardes que, de tão ótima, acabou indo também para o álbum de 2014.

Dessas diversas parcerias, só poderíamos esperar um álbum repleto de canções originais. Mas a revisitação também está presente nesse trabalho através da faixa “Salva a Humanidade”, que retoma o refrão de “Curiosidade”, do álbum Com Defeito de Fabricação.

Sem Você Não A

Depois do mais que original Canções Eróticas de Ninar (2016), o último lançamento de Tom Zé foi o álbum Sem Você Não A (2017) que tem seu título fazendo menção à canção “Sem a Letra ‘A’”, do álbum The Hips Of Tradition.

Além disso, novamente a canção “Curiosidade” do álbum Com Defeito de Fabricação é revisitada, aqui mantendo o mesmo título da primeira versão.

Tom Zé Ao Vivo

O objetivo do texto não era mesmo citar todos os álbuns de Tom Zé, mas nessa pesquisa, apenas dois acabaram de fora: Danç-Êh-Sá, de 2006, álbum instrumental apenas com músicas originais e, Canções Eróticas de Ninar, de dez anos depois, que também é centrado em seu conceito e só contém canções originais.

Mas para além de seu trabalho de revisitação que encontramos em seus discos, Tom Zé se autorreferência muitas vezes durante as suas apresentações ao vivo, onde as canções são intercaladas – e também interrompidas – pelo próprio interlocutor e suas histórias, onde geralmente relata as origens, contextos e subtextos da música que está sendo apresentada.

Só Tom Zé Revisita Tom Zé?

Fica claro que os esforços de Tom Zé para reinventar sua música trouxeram resultados geniais para sua obra, mas outro grande feito dessa reinvenção é o reconhecimento que artistas da recente geração brasileira vem tendo com seu trabalho.

Se na época do Tropicalismo suas músicas foram utilizadas pelos Mutantes em 1969 para o álbum homônimo da banda, onde gravaram “2001” e “Qualquer Bobagem”, houve, fora disso, muito pouco uso do trabalho de Tom Zé por outros artistas, o que ajudou a culminar no seu ostracismo que viria na década de 70.

Mas depois de David Byrne e dos trabalhos seguintes de Tom Zé terem alcançando mais público, a geração millennial sinalizou que queria dividir com o artista essa missão de revisitar a sua obra.

Além daqueles nomes da nova geração com quem trabalhou em seus próprios álbuns, a música do Tom Zé já foi repaginada por Tagore (“Todos Os Olhos” no álbum Movido a Vapor), Juçara Marçal (“Não Tenha Ódio no Verão”, do álbum Encarnado), e até pelo Digitaldubs, em uma parceria que contou também com o poderoso Lee Scratch Perry, da qual chamaram então de “Estudando o Dub”.

Esses e outros exemplos que fugiram da minha memória e pesquisa, nos apontam que o trabalho de Tom Zé hoje tem a valorização da qual um dia foi privado.

Encontrar desculpas ou motivos para um artista dessa magnitude ter sido esquecido pelo seu país nos faria entrar em uma nova pesquisa sobre os impactos que uma obra de constante vanguarda inventiva tem em um país subdesenvolvido, o que não faremos neste momento para não alongar este, já consideravelmente longo, texto.

Sabe-se que Tom Zé nunca foi cooptado pela mídia de massa porque simplesmente não conseguia seguir os seus moldes, o seu trabalho precisava ser inventivo e novo para que fizesse sentido. Não exatamente porque não queria ser conhecido, mas porque é somente assim que ele consegue criar. Ou como ele mesmo disse em recente entrevista “no convencional, eu fracassava”.

O que espero concluir após toda essa análise é a força artística do próprio Tom Zé, que criou uma trajetória impecável na música brasileira e que, se hoje é reconhecido internacionalmente, é porque dependeu sempre da valorização do próprio artista, muito mais do que das “descobertas” e ressignificações terceiras que seu trabalho veio tendo nas últimas décadas.

E para ajudar vocês a entender todo esse processo de auto-revisitação que Tom Zé propõe em sua obra, criei essa playlist onde reúno as canções que citei neste artigo, além de outras que fazem sentido neste contexto:

(só) Tom Zé Revisita Tom Zé (?)

Sair da versão mobile