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JHON FILM: O álbum definitivo da John Filme

Por Renan Bernardi

Fotografias: Eduardo Chagas

Criados em Chapecó-SC e apadrinhados musicalmente pelos Irmãos Panarotto, a carreira discográfica da John Filme se inicia com o álbum instrumental Jaromtom, lançado em 2014 com uma formação em power-trio.

Deixando essa coisa de contrabaixo de lado e trabalhando como dupla, surge primeiramente o EP Selfie, lançado em 2016, que é responsável se não por introduzir, pelo menos disseminar influências de shoegaze para as bandas de Chapecó que, em trabalhos seguintes a esse álbum, assumiram uma estética semelhante.

E foi justamente na divulgação desse EP que eu conheci a banda, em um show em Francisco Beltrão, no Paraná (que segundo me informou Akira, um dos piores da história da John Filme).

Desde então, me encantei e acompanhei a banda nos seus trabalhos seguintes, me identificando cada vez mais com as suas linguagens e propostas.

Depois de Selfie, no ano seguinte a John Filme mergulha nas influências de stoner e lança o EP Black Borboloto, que rendeu uma TURNÊ NACIONAL ao lado da Muñoz Duo, consagrando “Castelo Diminutivo” como um GRANDE HIT.

O álbum Fohn Jilme de 2017 e os dois EPs seguintes, os excelentes Caleb (2018) e Mammals (2018) mostram uma identidade mais concisa da banda, misturando todas as influências já presentes desde Selfie, mas encontrando um caminho mais próprio e diversificado.

Com uma formação diferenciada, já incluindo Jivago na segunda guitarra e, exclusivamente neste, Mauro Somensi no baixo, a John Filme lança, ainda em 2018, o Kings Of Leon Cover, trabalho que tive o prazer de lançar pelo TMDQA! com uma entrevista muito divertida com o Akira e o Paludo.

Logo na sequência, a John Filme também fez parte do curta-metragem “Dois Mil E Desgosto”, que reúne apresentações da banda e também de outros projetos como Marshnello, Cocobobonut e a banda Carpanos.

Depois disso, a banda se muda oficialmente para São Paulo (VENDIDOS!) e, no começo de 2020, lança mais um EP, intitulado Carnaval.

Oficialmente anunciado com o single “Where Did I Park My Car”, lançado no dia 23/07, o álbum Jhon Film saiu nesta quinta-feira (06/08), mostrando-se um trabalho definitivo na discografia da banda.

Digo “definitivo” pois, por acompanhar a John Filme durante esses quatro últimos anos, conhecendo um pouco sobre os seus processos, perrengues, safadezas e barulhos, ouvir Jhon Film me traz a sensação de que a banda, agora novamente como um trio, definitivamente (err) se encontrou em sua estética e sonoridade, tendo seus membros agora mais claro do que nunca a definição do som que propõem e de como (e porquê) o fazem.

Já não cabe mais falar sobre referências (se algum dia coube). Em Jhon Film, os três chapecoenses já não se relacionam com isso. Se a sonoridade do álbum te lembrar de bandas como IDLES, black midi ou Fontaines D.C, isso diz muito mais sobre a contemporaneidade de todos esses grupos, que buscam soar agressivos e imersivos em nosso tempo presente, do que uma influência de um para outro ou de um modelo que venha sendo copiado.

A originalidade da John Filme se dá na já característica despretensão que a banda leva para a construção dos recursos de sua música, somada sempre com uma linguagem cômica dos ambientes de #tendéu e cervejada em que os membros observavam enquanto viviam em Chapecó e que agora, habitando uma metrópole, ganha uma abordagem mais ampla, mas ainda muito ímpar e sempre irônica.

O álbum iniciado pela longa e lisérgica “Jhova”, segue com a ótima “Carnaval” e depois com a bateria precisa de Paludo em “Kraut”, para então ESTORÁ em “Unisex World” e “Amor Submarino”, onde o sarcasmo onipresente da John Filme se mostra claro e nos faz ouvir as faixas com aquele sorrisinho tongo na cara.

A instrumental “Trabalhos” é uma das faixas mais bem construídas do álbum, que é seguida pela também ótima “Comigo”, uma porradaria com guitarras que se completam e se divergem de forma muito inteligente.

Chegando ao fim do álbum, “My Armpits” dá um prenúncio de calmaria antes de explodir, seguida então pela também explosiva “Where Did I Park My Car”, da qual eu já gosto desde a maluca Locomotiva Sessions, realizada ainda em 2017.

O trabalho se encerra com “Multiplayer Love” que mesmo intimista e sem todo o barulho que o álbum vinha trazendo, mostra elementos que quem já acompanha a John Filme espera de um som da banda.

A espera é também para ver essas faixas sendo aplicadas nos sempre catárticos shows da banda, que por questões lógicas, ainda está fora de cogitação.

Jhon Film é também definitivo em me fazer afirmar que, apesar da boa concorrência de nomes como Frankenchrist e Disaster Cities, John Filme é a melhor banda-chapecoense-que-mora-em-são-paulo.

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