Mais que a vida

Por Kaehryan Fauth

Os fins de tarde têm sido um presente que agrada os olhos. A brisa fresca em pleno verão espanta a fumaça e acalenta a alma daqueles que anseiam pelo inverno. Desperta a saudade da névoa e alimenta a esperança outrora desacreditada.

Esses tímidos raios de sol são a única fonte de luz que tenho me permitido aceitar. As nuvens em tons de cinza se mesclam ao céu azul como em uma pintura, obra de arte abstrata e efêmera de um artista que jamais terá a glória do reconhecimento.

Sonhos “simples” escondem também nobreza. Trazem intrínsecos a clareza do que se almeja. Se traduzem em trova, poesia. O resto são coisas que não podem ser explicadas. É o que nos faz humanos.

A voluptuosidade da fumaça – as inconstâncias das suas formas. As incertezas e inseguranças resguardadas em ti, são mesmo para serem vividas só?

Desânimo é perder a alma e esquecer que só o amor vale mais que a vida.

No fim, devo admitir que eu amo demais fins de tarde como esse – e amo a capacidade de amar. Demais… É o suficiente para me permitir não descansar nem desistir – pelo menos ainda.

Tema: Baskerville 2 por Anders Noren

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