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O último ato: Temporal

Por Kaehryan Fauth

Os relâmpagos vêm dos quatro cantos do céu, mas esses clarões pálidos já não me assustam…
Encantam… Divertem… No entanto, há muito não dão medo.

Os raios, ao longe, são coadjuvantes em ascendência querendo chamar atenção em meio a um temporal que não é feito só por eles.

A cidade aquietou – ou foi apenas minha desatenção para com o resto do mundo?

Silenciosamente, avalio – infelizmente, as varandas estão vazias. Vão perder o ato prestes a começar.

A sobriedade faz falta ao pouco juízo. O vento frio não é nada acolhedor e as gotas gélidas parecem um público alvoroçado prestes a me expulsar dali. 

Uma sincronia pulsante e triste. Uma canção de ninar para silenciar a morte.
Um embalo tímido para a solidão ancorada na caneta que falha.

As pequenas pedras de gelo precipitam e machucam o suficiente para lembrar aqueles que seguem vivos do que é sentir dor.

Os trovões são os rapsodos dessa madrugada. Acompanham os relâmpagos de modo intimidante e imponente.

No fim desse espetáculo mendigado de atenção, quem será o protagonista eleito, enfim?

O vento abraça os convidados e os conduz, brutalmente, à desesperança. É como ópio para a crença de tudo que está por vir. 

Pulei uma página. A dose foi pouca?
Estou pronta para o grand finale.

Que a despedida seja breve – e que o agradecimento seja sutil.

“And though the night sky’s filled with blackness
Fear not, rise up, call out and take my hand
Fear not this night
You will not go astray
Though shadows fall
Still the stars find their way”

Tema: Baskerville 2 por Anders Noren

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