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O último ato: Amor

O último ato: Amor

Por Kaehryan Fauth

O corpo nu é poesia. O reflexo no espelho é história. A pupila dos olhos é a mais sincera amiga. O caminho não é de todo escuridão. 

O branco pálido reluz os tímidos flertes de luz que as nuvens deixam escapar. São tão delicados que sequer aquecem a pele. 

A pele, cada dia mais pálida, anseia pelo verão. Poder nadar nas águas escuras de lagos sem vida. Poder correr o risco de afundar e de ninguém mais achar. 

Sabe, eu quero acreditar… Ainda tem um mundo bonito lá fora, mesmo que as paredes atrapalhem. Ainda existem formas de falar ainda que a boca não se abra.

E eu sei que o inverno vai fazer falta também. O que mais cabe dentro de mim é saudade. E talvez a vida seja isso… Saudade. 

Tem dias que é tudo tão bonito, tem dias que o vazio entristece, e tem dias que…

Eu queria tanto te falar. 

Todo mundo acha que conhece o amor. Com muitas ou poucas palavras, facilmente pintam um retrato dele. Uns com mais detalhes, outros com mais cor… Ah, o amor… O amor flui, mas é complexo e na maioria das vezes não acontece dessa maneira bela que o esboço mostra.

Muitas – e muitas – vezes eu contei a história clichê de um amor esperançoso e que cria nisso, apesar de no fundo saber que o amor só é amor quando rasga o peito, dilacera e faz sangrar. O amor não está em todos os lugares, e sim dentro de você. E essa é uma verdade.

O amor não vai acontecer da forma como você espera e muito menos terminar como você sonhou. Se tiver sorte, você pode até morrer de amor, mas se não for assim, é ele quem vai te matar.

O amor jamais vai ser perfeito e com certeza vai te machucar. Ele pode se acovardar e fugir. Vai ficar escondido assistindo tua dor de longe, e essa dor pode – ou não – passar. O amor perdoa, sempre… Mas é imensurável o tempo que isso pode levar.

As pessoas têm formas diferentes de sentir. Muitas aconselharão sabiamente que não se deve sofrer por ele – o amor – esquecendo que “o sentir” é involuntário. É um sentimento traiçoeiro – pode vir como um sopro suave ou um temporal de verão. Acima de tudo, portanto, você não vai esconder as marcas deixadas ou ainda ignorar as cicatrizes.

O amor vai ser a ausência e esse vazio no peito que te preenche de NADA, que te faz querer muito menos e perder o medo dos piores pesadelos. Ele por ora vai te encher de uma razão irredutível e de coragem mascaradas por uma relutante inquietação sobre seu próprio ato. Mas ele não é a maior mentira que te contaram… Ou é? E se for?

O amor vai trazer intensidade e te fazer sentir a vida plenamente ao mesmo passo que te leva de mãos dadas para o abismoEle diz que vai te buscar mas finge que te esqueceu e não aparece. Vai te abandonar quando você menos esperar.

O amor pode se achar valente o suficiente para lutar essa guerra sozinho mas é no orgulho que envenenará todos os seus soldados. Ele não vai admitir o erro. Não antes que seja tarde.

O amor pode se entorpecer na dor e achar que ela é seu ópio. Ele vai entregar uma rosa nas suas mãos e então virar e partir. É isso ou chegar no fim da vida sem aprender a amar.

Sorriso falso. Olhos vazios. Coração só pra pulsar.

Revista Artemísia 2021.

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