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A importância na ausência

Por Kaehryan Fauth

O corpo nu é poesia. O reflexo no espelho é história. A pupila dos olhos é a mais sincera amiga. O caminho não é de todo escuridão. 

O branco pálido reluz os tímidos flertes de luz que as nuvens deixam escapar. São tão delicados que sequer aquecem a pele. 

A pele, cada dia mais pálida, anseia pelo verão. Poder nadar nas águas escuras de lagos sem vida. Poder correr o risco de afundar e de ninguém mais achar. 

Sabe, eu quero acreditar… Ainda tem um mundo bonito lá fora, mesmo que as paredes atrapalhem. Ainda existem formas de falar ainda que a boca não se abra.

E eu sei que o inverno vai fazer falta também. O que mais cabe dentro de mim é saudade. E talvez a vida seja isso… Saudade. 

Tem dias que é tudo tão bonito, tem dias que o vazio entristece, e tem dias que…

Eu queria tanto te falar. 

Mistério grande é ver um arco-íris no céu seco. Alguns podem dizer que é impossível mas, sei que o impossível acontece todos os dias, sem sequer dar tempo para que nos passamos compreender isso.

Milagre é aceitar que as coisas mudam o tempo todo e, que eu mesma estou me transformando a cada minuto. Culpa de tudo. Finalmente joguei a garrafa no mar. Esqueço aos poucos tudo o que aconteceu e, novamente, mudo.

Algumas pessoas ficam indignadas dizendo que não me entendem.
Nunca vão entender.
As pessoas – eu, você e todos – são mais do que parecem. Algumas querem permanecer ali para serem tidas como especiais. Fixação tola. Meu leque de amores sou eu quem faço, e é na ausência que eu sei quem amo, e na presença que eu faço questão de demonstrar.

Temos pouco tempo pra tudo, por isso digo:
Não quero conquistar o mundo!
Quero ter por perto – mesmo que há quilômetros de distância – quem eu amo.
E mesmo na ausência, saiba que as coisas não mudam pra mim.
Eu me transformo e tu te transforma, mas sigo na fidelidade aos elos que criei contigo.

Privilégio raro é conhecer quem eu conheci.

Não hesite em ir, só me prometa que um dia vai voltar.
Vamos tomar um chá! E conversar, lembrar e rir, comemorar um sentimento que, se os dois concordarem, nunca há de acabar.

Volte sempre.

Revista Artemísia 2021.

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