Ecos e Uivos nas terras de Condá: a história da música no oeste catarinense

Por Carlos Eduardo Pereira

Em busca de uma identidade cultural e partindo da construção do cenário musical na cidade de Chapecó, o documentário Ecos e Uivos nas terras de Condá revisita a história da música na região Oeste de Santa Catarina. O filme foi contemplado pelo Edital Municipal de Fomento e Circulação das Linguagens Artísticas do Município de Chapecó.

Entrevistamos o diretor Joel Zanette, que contou um pouco como foi a produção do documentário. No final da entrevista, você pode ouvir a playlist que criamos a partir das músicas apresentadas no filme.

Como surgiu a ideia do documentário e qual é o objetivo do filme?

O filme surgiu quando cursava Letras na UFFS e tive uma matéria com o professor Claiton Márcio, que desenvolve um projeto muito interessante sobre o resgate da Música Autoral Chapecoense. Através dele li o TCC do Herman Silvani (Nico) que é figura importante nesse movimento e já havia escrito sobre o tema; achei que aquelas histórias poderiam virar um documentário, primeiro porque sinto que é necessário falar sobre pertencimento, e a música tem esse poder de reflexão, e depois pela falta de material sobre o assunto. Parece que falar sobre nós e a nossa cultura é sempre tão difícil, temos uma falsa impressão que “aqui não tem cultura” e é bem ao contrário, a música é um exemplo disso, embora de forma independente sempre aconteceu e deixou marcas; e são essas marcas que o filme procura mostrar.

Como foi o processo de produção, desde a pesquisa e coleta de imagens/músicas antigas, até a finalização?

Comecei a pesquisa falando com o Roberto Panarotto e o Nico, com eles consegui boa parte do material que uso no filme, foram mais de 10 fitas VHS que resultaram em mais ou menos 9 horas de material bruto. Além disso tínhamos um cronograma de trabalho, algumas das entrevistas do filme são com pessoas que não residem mais em Chapecó, aí tinha também essa questão da logística. Minha pesquisa era muito mais abrangente, queria ter falado sobre o sertanejo ou a música nativista que é muito forte aqui, mas partes importantes caíram na montagem, por sugestão de amigos que assistiram o filme antes dele estar pronto. Mesmo assim o projeto levou mais de três anos até ser concluído, da pesquisa a gravação até a montagem e lançamento.

Quais questões levantadas na pesquisa realizada antes da produção foram respondidas após a finalização do filme?

Uma das coisas que me motivou a fazer esse filme foi a possibilidade de experimentar. O documentário nem sempre tem a obrigação de trazer respostas, mas tem o dever de fazer perguntas. Como é colocado no filme que Chapecó é “o centro do longe de tudo”, refletir sobre a importância da produção cultural local para nós e para o sul do país é sempre importante. Na pesquisa percebi que não era o único pensando sobre isso, foi aí que conheci o trabalho do Gustavo Matte e os livros que ele vem escrevendo, sempre utilizando Chapecó e o Oeste Catarinense como cenário em seus enredos. De certa forma o filme tinha essa premissa, trazer um pouco do cenário cultural, mostrando que aqui além da música e do cinema, se produz literatura entre outras manifestações artísticas.

Pra ti, qual é a importância das produções de documentários aqui em Chapecó e de se falar sobre a música produzida aqui?

Chapecó tem tradição de bons documentaristas, conheço bons filmes que foram produzidos aqui, com pessoas daqui, falando sobre as coisas daqui. Acho que ainda temos uma produção pequena perto da riqueza das nossas histórias.

Falar sobre a música é necessário, quando alguém assiste ao filme e vem me dizer que conheceu esse ou aquele artista no doc, que nunca tinha ouvido tal música antes, isso pra mim é a realização máxima do projeto.

Na sua visão, qual é a importância de editais de financiamento cultural?

Os editais são fundamentais, sem eles seria muito mais difícil concluir um trabalho como esse que demora tanto e exige tanta dedicação. O edital da um incentivo para que quem tem projeto os tire do papel.

Ouça a playlist com algumas músicas do documentário:

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