Demore mais amanhã

Por Carlos Eduardo Pereira

Acordei, já era tarde. Ela não havia chegado.
Almocei na cama, não quis comer sozinho na mesa. Nada dela chegar.
Arrumei meu quarto. Tentei não ficar triste enquanto arrumava meu guarda-roupa.
Mas não adiantou. Sempre fico triste quando arrumo meu guarda-roupa. Ainda assim, ela não chegou.
Coloquei para tocar a nova playlist que fiz. Músicas alegres, pareciam a trilha perfeita para ela não chegar.
Olhei pela janela. Nem sinal dela chegar.
Teve uma hora que ouvi um carro parando na frente de casa. Não era ela chegando.
Fui até a caixa de correio, nenhuma correspondência havia chegado. Muito menos ela.

Verifiquei se havia comida para oferecer a alguma visita. Chegar, não é o verbo preferido dela.
Varri o chão da cozinha. Algumas lembranças dela chegando me deixavam alegre.
Olhei o relógio, não estava atrasada. Mas também não estava adiantada. Não chegou.
Passei o café. Deitei na cama.
Ao som da chuva e da última música da playlist, ansioso ouvia os barulhos da rua. Ela não chegava nunca.
Vi um filme que eu já havia visto.
Até pensei que ela não viria hoje.
Saudade, eu não estava com saudade ti.
Amanhã, demore mais do que ela para chegar.

É para a moça que foi embora e não disse que voltava
É para a moça que espero agora, mas sempre demora
É para a moça que disse “Já volto” e nunca mais voltou
É para a moça que vai chegar, talvez não demore
É para a moça que não demora, mas errou o caminho
É para a moça que partiu para sempre e que demora para ir embora
É para a moça que me escreveu, mas deve ter errado o endereço

Talvez com essa playlist ela chegue:

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