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Conheça uma artista: Sol Schaefer

 

Por Ana Paula Dornelles

Se eu tivesse a audácia de definir o trabalho feito pela Sol Schaefer em uma palavra, usaria “graciosidade”. Talvez porque cada desenho traz personagens singulares e expressivos, com uma pitada de inocência e grandes doses de encanto. 

Segundo a Sol, essa paixão pela ilustração começou cedo, desde os livros infantis da pré-escola. “A partir daí, não parava mais de rabiscar toda superfície em branco que via pela frente. Até hoje lembro do cavalo laranja de oito patas que desenhei quando criança na parede da frente de casa”.

Hoje, formada em Design  Visual e de Produto, Sol se identifica com o estilo cartoon e vem trabalhando na criação de personagens antropomórficos, com temáticas de fantasia, como monstros, animais, plantas e personagens de seriados. Seus trabalhos também exploram figuras femininas. “Especialmente pela afinidade com a forma feminina, visto que sou mulher. Alguns momentos também uso disso para trabalhar corpos fora de padrões estéticos, abordando a questão da representatividade, mesmo que de forma superficial”.

Que tal conhecer o processo de criação, inspirações e objetivos futuros dessa artista de Mondaí, que há quatro anos vive em Chapecó? Confira a entrevista: 

Como é o seu processo de criação? 

Geralmente escolho um tema que me agrada. Pode ser desde uma série ou filme que acabei de assistir ou algum sonho maluco que tive noite passada (risos). Partindo daí, sintetizo o tema em uma pequena frase e faço uma espécie de mapa mental, com palavras-chave relacionadas ao tema/personagem. Tendo essas palavras em mãos, vou para o Pinterest e às jogo lá.

Procuro selecionar de dez a quinze referências no máximo e salvar elas em uma pasta no meu computador (faço isso pra não perder o foco, pois sabemos o que geralmente acontece quando alguém entra no Pinterest). A partir das referências começo a fazer thumbnails (miniaturas simples do desenho final) da ilustração ou personagem para testar composição, silhueta e paleta de cor. Depois de algumas alternativas, escolho a que mais funciona e começo a finalização.

A maioria dos meus trabalhos tenho feito no Photoshop, reservando o papel apenas para estudos ou rabiscos aleatórios, sem muito objetivo. Eu redesenho a thumbnail agora com mais detalhamento com um brush de lápis, marcando as linhas, que depois serão finalizadas com um brush texturizado ou não. Tendo a linha finalizada é a hora de blocar as cores de cada forma na ilustração e depois acrescentar luz e sombra. Dependendo do objetivo, trabalho com algumas texturas simulando giz pastel. Acredito que é importante ter um processo de criação bem definido e estruturado principalmente no início da ilustração, para otimizar o trabalho, manter o foco e tornar a experiência de ilustrar um pouco mais prática e proveitosa.

Quais outros artistas são suas principais referências?

Minhas principais referências são Heather Mahler, Rayner Alencar, Carol Delavy e Bryan Lee O’Malley.

Como você vê o mercado nesse ramo? Hoje, você consegue incluir a ilustração na sua rotina de trabalho?

O mercado de trabalho na área da ilustração parece bastante abstrato e competitivo para quem é iniciante, por isso é preciso trabalhar em equipe, participar de fóruns e grupos com o mesmo interesse, pois convivendo entre pessoas com os mesmos interesses fica mais fácil de se aprimorar e conquistar o seu lugar no meio artístico.

No meu trabalho atual o principal foco é o design e, eventualmente, entram projetos que envolvem ilustração. Nos horários vagos organizei uma rotina de estudos de 1h30min até 2h, para ter a ilustração presente diariamente na minha vida. É importante desenhar todo dia para evoluir mais rápido.

O que você almeja para o futuro? Daqui há 10 anos quer estar fazendo o quê?

Meu objetivo é trabalhar em projetos de animação 2D, que está em crescimento no Brasil. Estou estudando para ser Character Designer, responsável pela criação dos personagens de animação, games, etc.

No mercado de ilustração e, principalmente, animação, que é o meu objetivo, é importante ser um artista generalista, com conhecimento de todas as etapas de criação e também de pelo menos duas áreas da ilustração, além da que já domina. Por esse motivo, além da criação de personagens, também venho estudando cenários e props.

Onde você encontra inspiração?

Acredito que um dos pontos mais importantes para se ter inspiração e conseguir criar é manter uma biblioteca de referências sempre atualizada, consumindo diferentes conteúdos como filmes, animações, livros, músicas, outros artistas, etc.

Não sou muito de encarar a inspiração como algo abstrato, que pode aparecer às 3h, mas sim como algo que posso induzir através do meu método de criação. Aqui, entraria uma frase do Picasso, que ilustra muito bem: “Que a inspiração chegue não depende de mim. A única coisa que posso fazer é garantir que ela me encontre trabalhando.”

Existe uma definição de arte para você? Se sim, qual?

Arte, além de ser uma forma de expressão, é entretenimento, é o tempero da vida, não somente para olhar e deixar passar, ela faz parte da vida da maioria das pessoas, diretamente ou não. A arte não é uma ação irracional, é algo pensado e direcionado, com diversos objetivos.

O trabalho da Sol pode ser acompanhado pelo Instagram: www.instagram.com/sollschaefer/ 

Em breve, ela também lançará seu portfólio no Artstation.

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