Campanha “A Parada é no Hemocentro” incentiva a doação de sangue por LGBTQ

Wesley realizou sua primeira doação de sangue ao lado de sua melhor amiga, Paula Mayara. Segundo ele, o sentimento que ficou foi de gratidão por todas e todos que lhe possibilitaram fazer história e por poder ajudar quem precisa.

As frações da União Nacional LGBT de Chapecó e Xanxerê, em parceria com a ex-presidenta da organização e agora pré-candidata a vereadora de Chapecó, Carol Listone (PCdoB) lançaram na última semana a campanha “A Parada é no Hemocentro“, em incentivo à doação de sangue pela comunidade LGBTQ+. A campanha foi viabilizada após decisão do Supremo Tribunal Federal de derrubar as restrições à doação de sangue por gays, bissexuais, transsexuais e travestis no início deste mês, e a regularização por parte do Ministério da Saúde no último dia 12.

A campanha se estenderá pela semana do Orgulho LGBTQ+ (20 a 28 de junho) em substituição à tradicional Parada de Luta LGBT do Oeste Catarinense, realizada há quatro anos em Chapecó pela UNA LGBT. O ato não pôde ser realizado este ano por conta da pandemia de COVID-19.

Carol Listone conta que a ideia d’A Parada é no Hemocentro surgiu para converter a mobilização da Parada e celebrar a conquista. “Chegamos à ideia da doação de sangue para cumprir o nosso papel com a sociedade e fazer valer nossa conquista ajudando a salvar vidas. Sabendo que todo sangue é testado, delimitar a população LGBTQ+ como grupo de risco única e exclusivamente por nossas sexualidades ou identidades de gênero é um ato preconceituoso. O termo correto agora é comportamento de risco, pois a suscetibilidade de contágio está em todas relações sem prevenção, seja ela hétero ou homoafetiva”, explica Listone.

A atual presidenta UNA LGBT Chapecó, Liliane Araújo explica que a campanha visa trabalhar sob a perspectiva de mostrar à sociedade que as diferenças entre as pessoas não são delimitadoras ou excludentes. “Nós somos todos diversos individualmente, mas temos compromissos sociais coletivos”, afirma. 

Para Liliane, movimentos includentes permitem a evolução da sociedade como um todo. “Apesar de ser uma população marginalizada, sobre a qual pesa o estigma de doenças e desajustes, a comunidade LGBTQ+ contribui socialmente em várias áreas. O que é trivial para muitos, acaba por se tornar um direito a ser comemorado e uma forma de resistir”, complementa a presidenta. 

O estudante Wesley Caetano Lima, 19, realizou sua primeira doação de sangue assim que a campanha foi anunciada. Ele conta que poder doar após anos de luta e resistência foi umas melhores sensações que já teve. “Confesso que o tempo todo eu estava nervoso e apreensivo. A cada etapa eu esperava a reprovação de quem conduzia o processo, mesmo que todos tenham sido gentis. Acho que isso aconteceu pelo fato de algumas repreensões que passei durante a vida por ser LGBT. Só no final eu consegui sentir a sensação de libertação, pois ali já não tinha mais ninguém que pudesse me reprovar. Afinal, eu havia doado sangue pela primeira vez”, conclui Wesley.

Para saber mais informações de onde doar sangue na sua cidade e se você se encaixa nos critérios de saúde, acesse: http://www.hemosc.org.br/doacao-de-sangue.html

Sobre a UNA LGBT

A União Nacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – UNA LGBT de Chapecó (SC) existe desde 2016 como o primeiro diretório da entidade nacional no estado de Santa Catarina. Ela atua no campo político e tem como missão lutar pela garantia e ampliação dos direitos da população LGBT e sua emancipação social e financeira por meio de ações de formação e debates. A Parada de Luta LGBT do Oeste Catarinense é a maior ação promovida pela entidade, e recebe públicos de toda a região e outros estados.

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