As grades do medo

Por Kaehryan Fauth

A carta de hoje não vai sair na ordem exata. Se esforce um pouco para entender.

Já bebi bastante nessa vida, pra sorrir e pra esquecer, ou seja, pra “sorrir” e pra esquecer. Eu tenho algumas lágrimas amargas presas em mim que eu sei que a vida há de vingar.

Chorar… Chorar ė um gesto nobre, não acha? Eu sempre olhei pessoas sentimentais com outros olhos. Elas parecem ser, de fato, sinceras consigo mesmas. Entendo bem o que é sorrir querendo chorar e o que é olhar sem poder abraçar. Entendo de tudo, absolutamente, um pouco, porque se eu me aprofundar muito mergulho e morro afogada. À mercê das próprias lágrimas. Quem diria?!

Nem o sono, nem a insônia: a inquietude da tua presença neste mundo é que me atormenta.

E aquelas músicas que me fazem lembrar de ti? Parecem vício!
Pudera eu sonhar, ao menos, sem ter os fantasmas teus me assombrando.
Feliz seria…
Mas, eu gosto do gosto das lágrimas. Egoísta, guardo todas elas para mim.
Viva à ausência do choro! Viva à ausência de ti!

Bebo, enfim, para esquecer do medo e tentar te extinguir de cada lembrança. Bebo para rir do medo e tentar acordar mansa, deitada num berço tranquilo, livre de qualquer lembrança.

Livre do medo? Agora? Utopia.

Atenciosamente,

A remetente.

Tema: Baskerville 2 por Anders Noren

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