Apoie: Artistas de Chapecó criam fundo colaborativo para enfrentar a crise

Foto: Camila Almeida

Com espetáculos cancelados, sem emprego formal, artistas de Chapecó se unem e criam um fundo colaborativo. Saiba como apoiar.

Por Camila Almeida/ Girassol Cultural

Se você tem emprego e renda garantidos neste período de pandemia, já pensou em ajudar quem não tem? Este é o principal objetivo do financiamento colaborativo disponível em plataforma online, criado pelo Sítio Multicultural Nossa Maloca em parceria com os artistas de teatro de Chapecó. Com espaços culturais fechados, espetáculos cancelados e adiados, sem emprego formal para os próximos meses, o grupo se uniu para tentar garantir a renda de artistas, técnicos e suas famílias.

O projeto tem uma dinâmica simples: você pode colaborar com um valor a partir de R$10 sem limite máximo para colaboração acessando www.kickante.com.br/campanhas/serao-na-roca-quando-primavera-chegar.

Como contrapartida pela sua colaboração você garante ingressos para assistir ao vivo aos espetáculos teatrais que acontecerão no “6º Serão Na Roça – Quando a primavera chegar” – evento artístico cultural desenvolvido na Nossa Maloca. Além disso, como contrapartida imediata será disponibilizado conteúdo online como vídeos na linguagem teatral, contação de histórias e lives interativas em mídias sociais.

“É como comprar antecipado o seu ingresso. Você adianta o valor, mantém a renda dos artistas e suas famílias e assiste aos espetáculo ao vivo, quando essa pandemia passar em um evento que valoriza a produção cultural local”, explica Josiane Geroldi, atriz e fundadora do Sítio Multicultural Nossa Maloca.

O projeto tem o limite de 60 dias para captação total e teve início na última terça-feira, 7 de abril, mas o valor tem urgência para os profissionais. “A colaboração será repassada aos profissionais cadastrados no fundo, que tiveram todos os trabalhos, eventos, projetos e festivais cancelados ou adiados. Essa é uma maneira de adiantar o cachê dos artistas que precisam comer, pagar a luz, a água, o aluguel, os boletos já existentes, sustentar a sua família e que de uma hora pra outra ficaram sem receita nenhuma”, enfatiza Josiane.

Para a atriz Manon Alves, é importante lembrar que a classe artística foi a primeira a parar. “A primeira medida de proteção foi justamente impedir qualquer tipo de aglomeração e com razão. Com certeza nós seremos os últimos a voltar às atividades. Para quem trabalha com público é um momento muito difícil, quem trabalha exclusivamente com apresentações artísticas ficou de uma hora pra outra desempregado. Conseguir um retorno financeiro nesse momento é muito difícil pra quem trabalha com arte presencial”, conta.

O projeto envolve diretamente 13 artistas, técnicos e companhias de teatro. Com o ingresso, comprado de maneira antecipada pelo financiamento, você poderá assistir a seguintes atrações no evento:

Espetáculo Vozes Vivas – Cia Contacausos;

Espetáculo Contos da Corte – Cia de la Curva;

Espetáculo Amazarak – Coletivo Folhas;

Espetáculo Ana Condá – Cia de la Mancha;

Espetáculo Tugúrio – Casanova;

Espetáculo O cabelo de Rapunzel – Lenitiva Cultural;

Oficina de Abayomi – Lenitiva Cultural;

Oficina Circense – Leandro Santos;

Performance Butoh – Cíntia Dacoregio – Casanova;

Show com Farofa Trio – Manolo Kottwit;

Espetáculo O Barquinho – Cia Voeverá.

“Contamos com a colaboração da comunidade, dos que têm condições de contribuir nesse momento. Esse valor não resolve a situação mas ameniza de forma emergencial as necessidades básicas”, acrescenta Josiane.

Economia Criativa

A cultura representa 2,64 % do PIB brasileiro e mais de 1 milhão de empregos, segundo o IBGE. Para o Presidente do Conselho Municipal de Políticas Culturais de Chapecó, Clodoaldo Calai, nesse momento precisamos lembrar que a economia da cultura e a economia criativa são responsáveis por boa parcela da movimentação econômica do País e do mundo. “Iniciativas do setor, como fundos de financiamento coletivo são importantíssimos, porém, iniciativas por parte do Estado em todas as suas esferas são fundamentais. Da mesma forma que governos investem, salvaguardam, incentivam os demais setores da economia, devem olhar com atenção e com devida importância para o setor cultural, promovendo ações para a valorização do capital simbólico nacional”, finaliza.

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