As referências soltas e o novo EP de BRI: “Bom Dia, Boa Tarde, Boa Noite”
As referências soltas e o novo EP de BRI: “Bom Dia, Boa Tarde, Boa Noite”

As referências soltas e o novo EP de BRI: “Bom Dia, Boa Tarde, Boa Noite”

Foto: Capa do EP ‘Bom dia, boa tarde, boa noite’, por: Gabriele Fantinelli e Felipe Kautz

Por Renan Bernardi

As influências flutuam soltas pelo ar, são de quem pegar. Assim, creio que assimilamos uma coisa com outra (uma obra com outra) muito mais pautados nas nossas próprias referências do que naquelas em que o artista tinha ao propor aquilo que é apresentado. Arrigo Barnabé, que já foi chamado de Frank Zappa brasileiro, nem sequer curtia o som do norte-americano.

Dessa forma, quando ouvi o novo EP de BRI, Bom Dia, Boa Tarde, Boa Noite, a melodia de “Dom Quixote” me transportou diretamente para “Um Dia Útil”, de Maurício Pereira. E além da melodia, a narrativa do dia a dia também combina com a referência, aqui de forma mais metafórica do que literal. Mas seria uma referência?

Assim também a introdução poética declamada por Manu Menezes me lembrou aquelas feitas por Denise Assumpção nos álbuns de seu irmão Itamar (tanto no início do álbum Às Próprias Custas S.A como na canção “Estrupício”, cantada por Jards Macalé no álbum Bicho de 7 Cabeças, Vol. 3). Mas essas são as minhas referências. Seriam também as de BRI?

Foto: Felipe Kautz

No fim das contas, isso não tem a importância que parece ter. Penso que, sendo esse EP um projeto pandêmico, gravado na imersão que o artista passou em sua casa durante esse tenebroso período, ele dialoga – direta e indiretamente – com aquilo que todos nós passamos nos últimos meses (anos? Quanto tempo faz que tamo nessa?). E mesmo aprofundado em si, e talvez justamente por isso, BRI cria conexões fáceis com quem ouve. Estivemos todos em um grande processo de autoconhecimento e reflexões pessoais durante a pandemia, e mesmo cada um com as suas noias, parece que chegamos em soluções sempre meio parecidas. O próprio título do trabalho parece trazer essa mesmice de um dia a dia isolado em casa: o que importa se é dia, tarde ou noite? O que isso significa no seu cotidiano? De qualquer forma, ele deseja que esteja bem!

Talvez a gente é tudo mais parecido um com o outro do que achávamos que éramos. Talvez sua vida seja muito parecida com a de outra pessoa, e uma obra como essa pode te confortar ao se identificar com isso. Talvez as influências ou referências não sejam minhas, suas, ou de BRI. Talvez elas só estejam aí. Pega quem quiser.

Foto: Felipe Kautz

Com um violão comandando esse clima, BRI apresenta, além da já citada “Dom Quixote”, as canções “Se Possível”, acompanhada de um piano e uma bateria lo-fi; e “A Onda”, em uma estrutura que parece mencionar uma moda de viola ao mesmo tempo em que se desvencilha da mesma despretensiosamente, apenas formatando essa ideia para a personalidade do artista.

Mesmo trabalhado com todo esmero durante três meses de gravações, além dos processos de mixagem de Lucas Ramos (Estúdio Mochila, Porto Alegre-RS) e master por Wagner Lagemann (Estúdio Pedra Redonda, Porto Alegre-RS), Bom Dia, Boa Tarde, Boa Noite resulta em um EP curto e direto. Assim como esse texto.

Link para demais plataformas: https://tratore.ffm.to/bomdia-boatarde-boanoite

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