As Cartas – Maldição

Por Kaehryan Fauth

O amor e ódio coexistem.
É uma maldição a qual eu nunca quis carregar.
Mas minha memória ainda é plena – e não dá sinais de que deixará ir.

Eu nunca deveria ter convidado esse sentimento a entrar.
Agora, as memórias são efemeridades que atormentam a pele e o coração.
Talvez tudo teria se bastado com um “não”.
Mas entre viver em dois paralelos do que não foi, me resta “o agora” da decisão já tomada.

O amor e o ódio preenchem.. E mesmo que você lute contra, eles sempre estarão ali. É uma maldição que a vida me trouxe e agora só me resta lutar, aceitar e esperar pelo dia que essa tormenta chegue ao fim.
Enquanto isso eu preencho todo o vazio que ele deixou, um dia de cada vez.
Desde a cama desarrumada até o coração atordoado.

Um dia de cada vez, lutando sempre com os sentimentos que o tempo não abranda.

Um dia de cada vez até que a memória, esperançosamente, falhe. E, assim, possa dar espaço a novos vazios, que serão esquecimento, que serão libertação. Mas talvez não, talvez siga para sempre essa maldição, até que meu coração se canse e por si só desista de querer me fazer lembrar.

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