Uma carta extraviada

Imagem: Luísa

Por Luísa Madureira

área, território, zona, lugar, terreno, como queira. nesses espaços as coisas acontecem. acontecem por uma espécie de artifício causador, diria o filósofo. acontecem por um momento formado de puro vazio, diria o poeta. pulsão? pulsão inocente de quem organiza palavras, aqui estou mais uma vez, ocupando esse espaço imaterial. e eu nem sei ao certo o que quero dizer. bonus. bene. todo mundo é bom em alguma coisa, e essa coisa acontece em algum lugar. nem que seja o dom de arranjar pedregulhos no chão, numa espécie fulminante de harmonia. assim pertencemos. fazer parte de algo é um ato tirano, é uma espécie de invasão. nos deslocamos aqui e ali buscando uma inenarrável presença de ser, de estar. estar nesse território, cravar uma bandeira de conquista, depois dos momentos pulsantes que explodiam em espera. a custa de que? “um pensamento me aflige, ao olvido pertencerei e só a morte me amará”. a custa de nada, sei lá, o nada é mais pesado que o resto das coisas e acaba virando algo. o universo vazio resumido em nadinha de nada? manifesto dadá? tipo um limão sem gomos nem casca? bem, o relógio tiquetaqueia em segundos que passam como pequenas mortes, pequeninas mortes incansáveis que injetam os assombros do amanhã. aqui, ali, já morreu milhares de vezes e nem viu. às vezes as lembranças se dissipam no espaço-tempo porque precisamos mais delas no terreno das memórias, das pequenas mortes, não no da compreensão.

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